domingo, 5 de abril de 2015

Meditação sobre o encontro de nosso Senhor Jesus Cristo, carregando a cruz às costas rumo ao Calvário com sua Beatíssima mãe a senhora das Dores, Maria Santíssima.


Meditação sobre a Virgem das Dores
Texto base da meditação : Lamentações 1,12 (Lámed)
“Ó vós todos, que passais pelo caminho: olhai e julgai se existe dor igual à dor que me atormenta!”
Embora saibamos que Maria Santíssima não disse essas palavras, mas a Igreja, deste de os primeiros séculos atribuiu a ela essa lamentação. Podemos quase imaginar Maria, chorando atrás do cortejo que leva seu Divino Filho ao suplicio e entre olhares de repreensão de muitos conhecidos ou não, por entre lágrimas silenciosas, ela indaga a cada um: “existe dor igual à minha dor?”
Uma mãe que cria seu filho com todo amor, educa-o, nutre-o, cura-lhe as feridas de quedas quando criança, da ao fruto de seu amor toda a atenção, como nossas mães nos deram. Todos nós já ouvimos dizer que mãe nenhuma cria filho pra enterrar, mas espera que um dia, quando na sua velhice tiver que partir dessa terra, o seu amado filho estará ao seu lado, amparando, consolando, segurando as suas mãos...
Mas com Maria foi diferente, assim como infelizmente é com tantas mães que veem seus filhos em situações deploráveis, sub-humanas e mesmo com o coração em pedaços, nada podem fazer, mas continuam amando, consolando, fazendo-lhes companhia, ela, com uma troca de olhares, talvez um toque rápido nas mãos que tantas vezes lhe fizeram um carinho, mostra-se solidária com a dor, o sofrimento e a condenação do filho.
Maria é a figura desconsolada de tantas mães que perderam e ainda perdem seus filhos para as drogas, para a prostituição, para o alcoolismo, para pessoas sem escrúpulo que só visam o lucro e o próprio bem estar. Usando muitas vezes para adquirirem esse lucro a vida de pessoas que por um sonho ou uma desilusão, deixam suas famílias e partem sem saber se o que encontrarão será tão bom quando lhe disseram.
“Ó vós que passais pelo caminho, olhai e vede se há dor semelhante à minha dor!” é o que milhares de mulheres gritam perante uma sociedade que busca somente a realização de suas necessidades e não olha para os que sofrem. É só pararmos um pouco e prestarmos atenção, quantas pessoas clamam, com voz até rouca por uma atenção, por socorro, clamam desesperadamente aos céus na esperança de que ao menos Deus se compadeça de seu sofrimento e envie um bálsamo acalentador para suas feridas.
Mãe das dores, Virgem Maria, nossa mãe, vós que estivestes junto a vosso Divino Filho no doloroso caminho da Cruz, olha para nossas mães, avós, esposas, filhas, sobrinhas, mulheres que como teu Jesus carregam uma pesada cruz nem sempre aliviadas por um Cirineu, nem sempre com suas faces limpadas por uma Verônica piedosa. Dai-lhes ó mãe vosso auxilio nas angustias, vosso consolo nas tribulações, vosso colo para chorarem quando tudo mais parecer perdido e sem razão.
Com toda certeza, Maria Santíssima esperava ter ao seu lado na hora derradeira seu filho, mas Deus aprouve-lhe de outro modo: ela, silenciosa e com um choro angustiante, consolou, animou e acima de tudo rezou pela missão de seu filho. Aquela espada de dor que o velho Simeão profetizou que lhe transpassaria a alma agora se faz real e aguda. Agora ela começa a entender muitas das coisas que guardava e meditava em seu coração, quanta coisa agora lhe vinha aos olhos da alma, quantas palavras, quantos gestos...tudo a fizeram entrar na noite mais escura da alma: quando Deus revela por definitivo seu plano de salvação e nos pede que colaboremos ofertando algo de nós, aqui, Maria, mesmo com sua dor de mãe que vê o filho sendo condenado injustamente à morte, renova o sim dado ao divino mensageiro naquele feliz dia da anunciação e com a alma rasgada de dor, O oferece ao Pai para que se cumpra a nossa salvação.

Meditação sobre o Senhor Jesus dos Passos
Texto base da meditação: Isaías 52,14-15
“Assim como, à sua vista, muitos ficaram embaraçados – tão desfigurado estava que havia perdido a aparência humana – assim admirarão muitos povos: os reis permanecerão mudos diante dele, porque verão o que nunca lhes tinha sido contado,e observarão um prodígio inaudito.”

Assim se expressa bem o profeta quando no chamado “Cântico do servo sofredor”descreve a visão que muitos que estavam em Jerusalém para a festa da Páscoa tiveram daquele homem que nada fez de mal, mas que soube acolher, amar, perdoar e falar de uma forma que ninguém nuca havia falado. Mas qual seria o seu crime? Que horror poderia ter cometido tal homem? Porque teve castigo tão extremo?
Aquele homem que tanto bem fez, que com um olhar despertava a esperança escondida dentro de tantos, agora estava ali, mais chagado que um leproso, coberto de sangue, ferido, cuspido, escarrado, levando bofetões de todos os lados e ainda, com os mesmo olhar de amor inabalável que fitava a cada com um carinho que jamais outro olhou ou olharia novamente. Seu crime? Tratar todos com o mesmo amor, conviver com pecadores públicos, prostitutas, cegos, aleijados, doentes de todas as formas... dizer-se filho de Deus!
Seus cabelos possivelmente embaraçados formavam uma pasta só, unida pelo sangue que escorria de suas feridas feitas pela coroa de espinhos, suas mãos e pés, amarrados, dificultando ainda mais seu caminhar, seus olhos embaçados pelo sangue, a cruz às costas que lhe feria o ombro, os pés descalços que escorregavam nas pedras do caminho, o abandono por parte de seus discípulos, a incoerência do povo que dias antes o aclamava como rei com gritos de Hosana...
Quantas pessoas, ainda hoje sofrem as mesmas dores de Cristo! Quantas pessoas que são vendidas e traficadas por pura ganância, quantas pessoas ainda tem suas mãos e pés amarrados quando são encarceradas por traficantes ou de forma injusta, outras tem que trabalhar em situações de escravidão e perdem a dignidade de poderem trabalhar para seu sustento ou de seus familiares. Quantos que se dizem amigos, mas são pedras de tropeço, pois conduzem para o vicio, a dependência, ao abandono de seus valores...conduzem à perdição completa, quase apagando neles a imagem de filhos amados de Deus.
Deus nos ama de tal modo que entregou seu Filho amado para nos resgatar do pecado e da morte, nos libertar das amarras que nos levam para longe do que Ele sonhou para nós. Mesmo assim, nos obrigam ou nós mesmos somos obrigados a carregar uma cruz que ao invés de sinal de vitória pela morte vencida se torna vida vencida pela morte! Mas Deus não desiste de nós! Vem ao nosso encontro por meio de tantas pessoas, uma Verônica que nos enxuga o rosto, um Cirineu que se inclina e nos ajuda a levantar e a carregar a cruz, um doce olhar de mãe que nos acalenta o coração...tudo isso é Deus caminhando conosco.
Quantas quedas! Quantas pedras! Quantos espinhos! Quanta coisa vai se grudando nas feridas como as roupas de Jesus em seu corpo, mas quando chega a hora de tira-las, quanta dor! Coisas que vão se fixando em nós e vão quase se tornando uma segunda pele: falsos amigos, um ou vários vícios,uma necessidade supérflua, uma amor mal orientado, tudo isso, precisa ser tirado, para que a libertação a nós trazida por Jesus e conquistada por seu sangue seja eficaz e gere-nos para uma nova vida.
Jesus caminha com a cruz às costas não por ser um vitimista ou um fatalista, uma pessoa entregue à sorte, mas o faz consciente de que a sua missão passava pela cruz e seu amor ao Pai o sustentava. Ele caminha na dor para nos indicar que nunca devemos nos paralisar seja qual for o motivo, caminhar é preciso, chegar é preciso, consumar nossa vida por amor, mas por uma amor que valha a pena é fundamental, por isso, Ele o faz por primeiro e nos mostra como fazer.

Sofrimentos virão, incompreensões, perseguições, desilusões, fracassos, mas nunca sempre tudo isso durará, um dia a chuva para, o horizonte se abre, o sol aparece, a vida renasce e a cruz que olhávamos tão penosa e dolorida será um sinal de vitória e vida!Mas a experiência da ressurreição só experimenta quem passa pelo caminho da cruz e da morte no Calvário. Jesus mostrou isso!

João Amaro

MARIA SERVA DO SENHOR


“Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim, segundo a tua Palavra.”(Lc 1,38)

Deste de o inicio do cristianismo, a Mãe de Jesus gozou de um especial carinho daqueles que ouviam a Boa Nova da salvação e se disponham a segui-lo. Ela fazia-se presente com a comunidade nascente, como podemos constatar nos escritos do livro de Atos: “todos eles perseveravam unanimemente na oração, juntamente com as mulheres, entre elas Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele.” Dela, com certeza, ouviam admirados as maravilhas que o Senhor havia realizado em tão pequena criatura (Lc 1,49) e como acompanhou com suas orações de mãe Aquele cuja vida seria entregue para que todos tivéssemos vida em plenitude (Jo 10,10).
À Maria Santíssima poderíamos aplicar o trecho de Eclesiástico 24,24-25:“Sou a mãe do puro amor, do temor a Deus, da ciência e da santa esperança, em mim se acha toda graça do caminho da verdade, em mim toda esperança da vida e da virtude.” Ou ainda poderíamos aplicar a Ela outro trecho, agora do livro dos Provérbios 31,28: “seus filhos se levantam para proclamá-la bem-aventurada e seu marido para elogiá-la.” Ainda a ela, bem se diz ao afirmar como no livro do Cântico dos cânticos 2,2: “como o lírio entre os espinhos, assim é a minha amada entre as jovens;” ou 6,10: “ao vê-la as donzelas proclamam-na bem-aventurada, rainhas e concubinas a louvam. Quem é esta que surge como a aurora, bela como a lua brilhante como o sol, temível como um exercito em ordem de batalha?”.
A piedade popular e a tradição, sempre conseguiu ver na Sagrada Escritura, os sinais maravilhosos de uma mulher, que embora sendo a mãe do Salvador esperado pelas nações, quis se manter uma humilde serva do Senhor! Saindo às presas para a casa de sua prima para servi-la (Lc 1,39), ou ainda quando nas bodas de Caná, pede, mesmo diante de uma resposta ríspida de seu Filho para que os serventes fizessem tudo o que Ele dissesse (Jo 2,5), mas é neste trecho do Evangelho de Mateus 3,35 que nós podemos constatar que Maria foi aquela que bem soube pôr em prática a vontade de Deus, pois sempre soube acolher e medita-la em seu coração (Lc 2,51) fazendo-se assim, mais familiar de Jesus pelo espírito de seguimento de Deus do que pelos laços de sangue.
Mas, poderíamos nos perguntar: no que consistiria ser devoto de Maria, mãe de Jesus? A resposta, quem nos dá, ora é seu próprio filho, ora é o Espírito Santo pelos escritos do Novo Testamento, ora ela mesma, com seus gestos: confiança e entrega total ao projeto de Deus (Lc 1,38), recolher-se em silêncio e meditar aquilo que não compreendemos (Lc 2,51), sabermos que é Jesus quem deve realizar a obra em nós (Jo,2,5), ouvir atentamente e saber por em pratica a palavra do Senhor (Lc 8,21), estar de pé diante das dificuldades e sofrimentos apoiados em Deus (Jo 19,25), perseverar na oração em comunidade atentos ao Espírito Santo (At 1,14), fé robusta e alicerçada em Jesus (Rm 5,1), esperança na ressurreição (Rm 6,5), consciência da santidade de seu corpo que é templo do Espírito Santo (1Cor 6,19), a pratica da caridade (1Cor 13,13), livre em Cristo para amar (Gl 5,1), viver no mundo sempre com os olhos fitos no alto (Cl 3,1)...

Se fossemos escrever todas as virtudes praticadas por Maria Santíssima, ficaríamos por muito tempo ainda, encerro esta meditação com uma exortação, a qual primeiramente eu devo ser o primeiro a ouvir e esforçar-me por praticar:“todo o que crê que Jesus é o Cristo, nasceu de Deus; e todo o que ama aquele que o gerou, ama também aquele que dele foi gerado. Nisto conhecemos se amamos os filhos de Deus, que guardemos os seus mandamentos.”(1Jo 5,1-2) Assim espero que saibamos que Ela foi modelo dos seguidores de Jesus e foi por sua fé no seu Filho que hoje a aclamamos como bem-aventurada (Lc 1,48). “Isto vos escrevi para que saibais que tendes a vida eterna, vós que credes no nome do Filho de Deus.” (1Jo 5,13).

João Amaro

terça-feira, 26 de agosto de 2014

                              No cantar o mistério pascal 

 Durante o período da antiguidade e mesmo dentro do período medieval, a musica passou a ter um habitáculo tão profundo na alma que fez parte do quadrivio das disciplinas dentro das ciências humanas. Por ser uma das artes mais elevadas, que transporta o homem ao horizonte infinito da alma, a musica se tornou uma áurea, que possibilita dentro da sua leveza a mais autentica forma de expressão. È por sua capacidade de transcendência e pela sua forma de expressão que a musica passou a ocupar o lugar central dentro da liturgia e das nossas celebrações. Todavia, dentro da Sagrada Escritura, obtemos vários hinos de louvores. Segundo o autor a realidade não está na demonstração do saber cantar na missa, mas no cantar a missa, pois a missa cantada entre o sacerdote e o coro, foi o modo mais antigo de celebração. Dentre os elementos importantes para se celebrar o Dia do Senhor, está a música ritual litúrgica, o que equivale a dizer que restaurar o Domingo, é também restaurar este tipo de arte, que se constituí num dos mais elevados sinais litúrgicos para se celebrar o mistério Pascal. No entanto, celebrar o mistério Pascal é cantar o dia da nossa Salvação e não o dia de executar algo morto, uma vez que, liturgia é vida. Além do mais, dentro do coração do rito, o canto se faz necessário, pois a missa é o mais precioso canto de louvor que o Espírito Santo colocou nos lábios da esposa a fim de que possa expressar o anelo do seu amor ao Esposo e Fundador. Agora, uma das principais retomadas e apontamentos que a V Conferencia fez é a proposta da formação litúrgico-musical dentro das casas de formação para os candidatos ao ministério presbiteral. Já um outro aspecto que deve ser levado em conta, é o ressalte de dois elementos que precisam ser relevados para musica dentro de nossas celebrações que são: a primazia da letra e a excelência do canto comunitário. A letra precisa ter melodia, precisa expressar a beleza de Deus, seja qual for sua cultura. Os textos precisam ser valorizados e não desprezados. Por isso existe diferença entre cantar a liturgia e cantar na liturgia, visto que, missa cantada não pode ser confundida com a missa em que se cantavam belíssimas peças de artes, pois não se trata de auditórios de shows, mas de espaço litúrgico, onde todos são cantores e músicos. Todavia, a música só pode ser expressão suave da oração quando é realizada com a arte própria. Cantar sem arte é massacrar a mais bela arte humana e transformar a mais alta e profunda comunicação num caos. A musica não é somente meio profissional de se ganhar a vida, mas, sobretudo, a maneira mais sublime de o ser humano se expressar-se. Portanto, é nesse binômio entre musica e liturgia, homem e Deus, que eleva o povo de Deus aos céus. A formação litúrgico-musical deve retomar todas aquelas características que até então tinha: sugere que aos domingos e solenidades se retome a missa cantada de acordo com os três graus de participação: O primeiro o presbítero, o segundo o coro e por fim a assembléia. Agora para que isto não seja apenas um sonho, é necessário que os pastores e povo de unir-se-ão num grande esforço para que a formação litúrgico-musical seja um empenho eclesial, cujos frutos são a salvação. Portanto, é preciso investir, pois a arte com certeza, adentrara nossos átrios, atravessara nossas naves e habitara no coração de nossas liturgias novamente, a medida que a melodia atinja em nossos corações os grandes tom eterno juntamente com o som do amor divino.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

A singela imagem negra
Quando vemos alguém simples, de modos singelos, quase, por  vezes familiar, nos sentimos a vontade para conversar. Isto posso afirmar, pois deste de criança aprendi que o ser simples agrada não somente a Deus mas também aos homens; experiência  vivida de perto, vendo nos meus pais o exemplo a ser seguido. Deles recebi a devoção e o carinho para com a Mãe de Jesus, representada na pequena imagem negra encontrada no Rio Paraíba no longínquo 1717.
Naquela imagem, feita de terra cota percebemos as mãos unidas em oração continua por quem precisa, o rosto emoldurado por duas flores que cingem duas tranças e uma terceira na fronte, talvez símbolo da Trindade Santa ou expressa suas virtudes: pureza, silêncio e caridade, as quais nos passam despercebidas; o longo cabelo...De olhos fechados com que interiorizando a Palavra de Deus e confiando cegamente  na sua ação, a lua debaixo dos pés dizendo-nos que recebe luz de um astro infinitamente maior, Jesus, e assim nos diz como nas boas em Caná: “fazei tudo o que Ele vos disser”.
Deus em sua bondade nos deu Jesus por meio de Maria, que no Calvário nos foi entregue como mãe. Nós reconhecemos essa maternidade e num gesto de amor, cobrimos sua imagem com um manto e a coroamos, mas nunca podemos esquecer que ela é e sempre será a representação de uma mulher simples, singela e familiar a quem sempre podemos confiar nossas alegrias e tristezas, projetos e realizações, dores e esperanças.
Que ela, Mãe Aparecida, possa nos ensinar o respeito, o serviço e o amor ao próximo, especialmente por aqueles que sofrem algum tipo de injustiça, doença ou violência. Peçamos à Mãe que proteja nossas crianças de todo mau e nos faça respeita-las, principalmente no que diz respeito a vida, à educação e o direito a uma família que a ame. Que a Senhora Aparecida nos ajude sempre a sermos discípulos e missionários de seu filho Jesus. 

Itinerário espiritual de São Caetano de Thiene


Vida interior consiste numa intimidade que desenvolvemos com Deus através de uma vivência comprometida com o Evangelho, o que acarreta numa busca sempre mais integrada de todo o ser, seja do corpo como da alma, sendo para isso também indispensável a graça do Espírito Santo. Para Caetano esse era seu grande desafio cotidiano, não deixar-se arrastar pelas preocupações vãs, não se deixar abater por um acontecimento inesperado, não desviar seu olhar da meta, a saber: Cristo e o cumprimento perfeito de sua vontade, acolher sempre, ajudar quem precisasse, fazer-se tudo para todos, “a fim de salvar a todos; e tudo fazer por causa do Evangelho, para dele se fazer participante”(1Cor 9,22b-23)
Essa vida interior de Caetano tinha como principal alicerce a Palavra de Deus, sua meditação, a busca por sua vivencia de forma autentica para gerar frutos de santidade, a Eucaristia que o alimentava diariamente com o Corpo e Sangue de seu Senhor Jesus Cristo, a devoção a Nossa Senhora, que deste os tempos de criança lhe foi ensinada pela mãe, sua vida de oração, atitude de quem sabe que sem Deus e sem se colocar em sua presença nada pode, sua sensibilidade em perceber a necessidade alheia e de ir ao seu encontro, não só com o espiritual mas com o material, com uma palavra amiga, cheia de vida, uma mão estendida.
“Renovai sem cessar o sentimento de vossa alma, revesti-vos do homem novo, criado à imagem de Deus, em verdadeira justiça e santidade” (Ef 4,23-24). Essa exortação de Paulo aos Efésios devia ecoar diariamente no coração de Caetano, levando-o a inquietar-se a ponto de sentir que deveria surgir uma renovação, algo que fizesse com que a conversão acontecesse como fato na vida de todos, mas para  isso ser levado a bom termo, esse projeto deveria começar por ele, que se sentia o mais miserável e pecador de todos. Ai está uma das amostras de sua espiritualidade, de sua vida interior: reconhecer-se pecador e miserável e sentir que a conversão lhe era urgente e a mudança de vida deveria ser apartir de si.
“Buscai primeiro o Reino de Deus e sua justiça” (Mt 6,33) eis a meta incansavelmente almejada por ele, orientado por esse trecho do Evangelho fez deste impulso de conversão uma constante busca da instauração do Reino Celeste já aqui na terra. Para isso esteve sempre disponível aos impulsos do Espírito Santo, o qual sempre deve como guia excelente e “conselheiro maravilhoso” (Is 9,6). “Cristo espera e ninguém se move”, essa ânsia de atitude fez com que exclamasse, quase num tom de desalento, esta máxima sua, pois via que Deus esperava uma iniciativa dos homens para retornarem a Ele, mas que cada dia mais se afastavam de sua graça se embrenhando por estradas terríveis e obscurecidas do erro, da apostasia, da infidelidade, do abandono e desprezo das coisas sagradas.
“Afeiçoai-vos às coisas lá de cima e não às da terra, porque estais mortos e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus” (Cl 3,2-3). A busca por afeiçoar-se as coisas do céu, ou seja, de tomar a feição do que é de Cristo, fez com que Caetano buscasse a cada dia discernir a vontade de Deus da sua, buscando morrer dia a dia para as coisas deste mundo almejava por uma vida em Cristo, em Deus no qual seu coração se abrasava de amor e suas obras gritava ao mundo seu inteiro desejo de conduzir todos ao Coração de Jesus. Sua vida foi um inteiro sacrifício de amor a Cristo e sua Igreja, sem medir esforços queria levar o Evangelho a todos, sem nada reter para si, sem se apegar a nada nem a ninguém, ser livre para correr o mundo por Cristo.
“Quanto a mim, não pretendo, jamais, gloriar-me, a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo” (Gl 6,14). A cruz, a qual Caetano disse uma vez: “tornar-se sacerdote e unir minha vida à cruz de Cristo”, e da qual fez da nova Ordem nascente o brasão e estandarte que orienta a todos no seguimento de  Jesus: “se alguém quer vir após mim, renegue-se a si mesmo, tome a sua cruz de cada dia e siga-me” ,e continua,”quem quiser salvar a sua vida, irá perde-la; mas quem sacrificar a sua vida por amor de mim, irá salvá-la” (Lc 9,23-24). É na cruz que a alma se purifica, é nela que o amor é provado e dele afastado toda ilusão, todo medo, toda insensatez mundana, por ela o pecador conhece o preço de seu resgate e descobre o amor imenso que fez Deus morrer por si. Caetano ao querer unir sua vida à cruz quis fazer-se conhecedor do mistério da salvação que antes da Ressurreição passa pela morte.
“Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13,1). Jesus que nunca deixou de amar o Pai comunicou-nos esse amor divino, amando-nos: “amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo 15, 12), Caetano soube amar aqueles a quem Deus colocou no seu caminho e fez com que participassem de sua caminhada nesta terra, e neste amor revelou-lhes o seu amor a Deus, o qual era expresso em obras de “caridade,alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança” (Gl 5,22-23) e consumou-se na sua entrega pela paz de Nápoles, ato que nos lembra o trecho do Evangelho que diz: “ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos” (Jo 15,13), mensagem que muito bem soube entender e por em prática!
“Quem é, pois, o servo fiel e prudente que o Senhor constituiu sobre sua de sua família, para dar-lhes o alimento no momento oportuno?”(Mt 24,45). Podemos afirmar sem medo de errar, esse “servo bom e fiel, que foi fiel” (Mt 25,21) foi Caetano, que soube sempre fazer-se atento ao desejo do Senhor, que sempre sentiu um desejo de servir de forma mais perfeita e santa àquele que é Perfeito e Santo. A ele, que foi simples e procurou “mover o mundo sem que aparecesse sua mão” por amo a Cristo e sua Igreja, podemos aplicar os dizeres do livro do profeta Daniel: (tu)“ que foste integro irás refulgir como o brilho do firmamento, e (tu) que introduziste muitos nos caminhos da justiça hás de luzir como as estrelas, com um perpétuo esplendor” (Dn 12,3).
“O Deus da paz vos conceda santidade perfeita. Que todo o vosso ser, espírito, alma e corpo, seja conservado irrepreensível para a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo! Fiel é aquele que vos chama e o cumprirá. Irmãos, orai também por nós.”(1Tes 5,23-25)

                                    
João Batista Amaro
Guarulhos, SP, 18 de setembro de 2012.

terça-feira, 19 de junho de 2012

      
                                   Benção da Cruz da Comunidade Santa             
          Rita de Cássia, Jardim Frizzo-Guarulhos-SP

“A linguagem da cruz é loucura para os que se perdem, mas, para os que foram salvos, para nós, é uma força divina.”(1Cor 2,18)

Para nós cristãos, e em especial para nós católicos, a cruz de Nosso Senhor se reveste de um especial significado. Por ela foi pago o preço de nosso resgate, nela foi derramado o mais precioso sangue, o de um Deus. Por esse motivo sempre em nossas igrejas e capelas é posto em lugar de destaque este Santo Sinal, para que sempre tendo a vista este bendito estandarte possamos lembrar que sem ela não se chega á ressurreição.
Por este motivo no dia 16 de junho foi benta a nova cruz que orna o altar da Capela Santa Rita de Cássia no Jardim Frizzo. A obra foi idealizada para ser uma janela (ícone) que conduza todos os que a olharem a uma profunda oração e meditação da Paixão do Senhor e busquem, a exemplo dos santos Caetano e Rita, viverem sua condição de batizados e vocacionados á santidade. Como todo ícone bizantino, este se reveste de significado que nos fala á alma e nos convida a meditação.

A cabeça de Jesus é coroada por três fachos de luz dourada com as inscrições em grego: IC=Jesus XC=Cristo YΘ=Filho de Deus (Jesus Cristo Filho de Deus), seu olhar fita aqueles que entram na capela e os convida a ficar com Ele.

                                    
A baixo da mão direita está a letra grega alfa: Cristo é o principio de Tudo, “Nele foram criadas todas as coisas (Cl 1,16). No quadro que segue a baixo da mão a figura de São Caetano olha para o Cristo e de sua boca sai a expressão:”Liguei minha vida á cruz de Cristo.”


Sob a mão esquerda a letra grega ômega: Cristo é o nosso fim último, “Nele nos movemos, existimos e somos” (At 17,28). No quadro a baixa a figura de Santa Rita olha para o seu Amado e num suspiro de amor diz: “Por amor a tua Paixão ó Jesus!”
                                   
Do lado direito do peito de Jesus a profunda chaga “de onde jorrou sangue e água” (Jo 19,34) de onde também nasceram a Igreja e os sacramentos para nossa santificação e auxilio na caminhada rumo ao céu.



Os pés de Jesus repousam sobre um trimonte, símbolo da Ordem dos Clérigos Regulares, e desta terra umedecida pelo sangue redentor faz brotar para a Igreja, e como testemunho para o mundo,(simbolizado na planta) homens que souberam levar ao extremo a sua opção no seguimento de Cristo: São Caetano, Santo André Avelino, São José Maria Tomassi, Beato Paulo Buralli D’Arezzo, Beato João Marinoni. A flor em botão representa  os santos que ainda estão por vir e que são gerados no coração da Trindade santa.
Todo o Ícone é cercado por um feixe azul que representa Maria que envolveu o corpo de Nosso Senhor durante a gestação e que também envolve aqueles e aquelas que se dispõe a seguir seu Divino Filho.
                                
Rezamos e esperamos que esta cruz possa ser sinal de Cristo e de sua vitória sobre a morte e o pecado e conduzir muitos á oração e a contemplação.  Cristo nos reconciliou com Deus, reunindo-nos num só corpo pela virtude da cruz, aniquilando nela toda inimizade.(Ef 2,16) “Mas nós pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos, mas para os eleitos...força de Deus e sabedoria de Deus. (1Cor 1,23-24)
                                                                                                                         João Amaro


terça-feira, 24 de abril de 2012



Romaria, Sacrificio, Amor…



O que és romaria?

É muito mais que isso: é amanhecer na estrada
com o coração alegre e a alma descansada.
É ver o por-do-sol como testemunha
do imenso amor do criador por suas criaturas.
É na madrugada ver o céu estrelado
e nos extasiarmos com as maravilhas que Deus nos deixou.

É derramar lágrimas, muitas lágrimas,
pura e simplesmente por amor,
É  se lembrar de oferecer cada dor por cada um
que nos pediu intercessão e pelos que não pediram também.
É ter consciência de quão grande
graça é poder padecer algo por amor a Deus.

É peregrinar indo ao encontro da superação 
do corpo, para revigorar a alma.
É sabermos que a cada passo dado,
não somos nós, mas é o próprio Deus ,
revivendo em nós sua santa e dolorosa paixão.

Quem somos nós, Jesus, para recebermos tão extraordinária graça?
De sermos semelhantes a ti quando nos libertava do nosso fardo
nossos pecados?

O Senhor esteve desamparado,
mas o seu Grande, Imensurável Amor, não nos deixa. 
Olhamos ao redor e vemos nossos irmãos, os anjos, os santos, 
Nossa Senhora… não estamos sós.

Sabemos que a vitória não é nossa,
que não é por nossas forças que alcançamos,
mas a vitoria é tua, Senhor, Nosso Deus, Nosso pai, Nosso Salvador