segunda-feira, 26 de março de 2012

Cardeal Francis Arinze fala aos liturgistas.


"O povo de Deus tem o direito de que a liturgia seja celebrada como a Igreja quer".


1 - Introdução


A Sagrada Eucaristia ocupa um lugar central no culto público da Igreja e na sua vida. Sua celebração deve, então, receber de todos nós a maior atenção. Por essa razão, estou feliz de saber que esta "Gateway Liturgical Conference" está consagrada especialmente para a atenção com a celebração digna da Sagrada Eucarisita, de acordo com a encíclica do Santo Padre, Ecclesia de Eucharistia, e a instrução Redemptionis Sacramentum, da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos. Isso também está no sentido do presente Ano da Eucaristia.



No desenvolvimento do tema atribuído para mim, "Normas Litúrgicas e Piedade Litúrgica", eu tenho a intenção de começar examinando por que devem existir normas litúrgicas, como o que a Igreja acredita e como ela reza estão relacionados, e quem tem autoridade para emitir normas para a liturgia. Este será o momento para explicar claramente o que entendemos por piedade litúrgica. Criatividade é uma questão que surge freqüentemente, no que se refere à liturgia. Ela deve ser examinada. O desejo para fazer celebrações litúrgicas interessantes também merece ser analisado.


Algumas pessoas querem introduzir danças na liturgia. A discussão dessa tendência não pode ser evitada. Nós vamos concluir perguntando-nos se a observação das normas litúrgicas é uma chamada para o formalismo ou rubricismo, ou um promotor da fé e da piedade.



2. Razões para Normas Litúrgicas

A sagrada liturgia é um exercício do ofício sacerdotal de Jesus Cristo. É o culto público realizado pelo Corpo Místico de Cristo, pela Cabeça e por Seus membros (cf Sacrosanctum Concilium [SC] 7).


Celebrações litúrgicas possuem alguns elementos que são de instituição divina. Esses são os aspectos mais importantes dos sete sacramentos. Existem elementos que são de instituição eclesial. Ao decidir sobre esses elementos, a Igreja tem um grande cuidado para ser fiel à Sagrada Escritura, para honrar a tradição transmitida através dos séculos, para manifestar sua fé e alegrar-se nela, e para levar todos os fiéis para o culto de Deus, seguindo o exemplo de Cristo, e mostrando amor e serviço para seu próximo. Entre esses dois, podemos falar de um terceiro: aqueles elementos da liturgia que são encontrados desde os primeiros anos em todas ou praticamente todas as grandes tradições litúrgicas e que devem, portanto, retornar pelo menos a um período muito próximo dos apóstolos, e talvez mesmo a Nosso Senhor. O fato de podermos não ter conhecimento certo sobre isso em um dado caso é uma forte razão para evitar inovações ou negligências precipitadas. (cf Varietates Legitimae [VL] 26-27, Instrução Geral para o Missal Romano [IGMR] 397, Liturgiam authenticam [LA] 4-5, Redemptionis Sacramentum [RS] 9)


Celebrações litúrgicas devem ser experiência da fé tradicional que é confessada, celebrada e comunicada, da esperança que é expressada e confirmada, e da caridade que é cantada e vivida.


Como as celebrações litúrgicas são atos públicos realizados em nome da Igreja universal, com o próprio Jesus Cristo como o Sacerdote-Chefe, segue-se que ao longo dos séculos, a Igreja necessariamente desenvolveu normas de acordo com as quais seu culto público é expressado. Normas litúrgicas protegem esse tesouro que é o culto Cristão. Elas manifestam a fé da Igreja, promovem-na, celebram-na e comunicam-na. Elas também manifestam a fé da Igreja como uma família constituída hierarquicamente, uma comunidade de culto, amor e serviço, e um corpo que promove união com Deus e santidade de vida e dá aos pecadores esperança de conversão, perdão e vida nova em Cristo.


Além disso, normas litúrgicas ajudam a proteger a celebração dos mistérios sagrados, especialmente a Sagrada Eucaristia, de serem danificados por adições ou subtrações que danificam a fé e podem, por vezes, até tornar uma celebração sacramental inválida. O povo de Deus tem, assim, celebrações garantidas na linha da fé tradicional da fé Católica e não é deixado à mercê de idéias pessoais, sentimentos, teorias ou idiossincrasias.


O Papa João Paulo II é muito insistente no papel importante das normas relativas à celebração da Eucaristia. "Essas normas são uma expressão concreta da natureza eclesial da Eucaristia; este é seu significado mais profundo. Liturgia nunca é propriedade privada de alguém, seja ele o celebrante ou a comunidade na qual os mistérios são celebrados" (Ecclesia de Eucharistia [EE] 52). O amor à Igreja leva a pessoa a observar essas normas: "Sacerdotes que, com fé, celebram a Missa de acordo com as normas litúrgicas, e a comunidade que às mesmas adere, demonstram de modo silencioso mas expressivo seu amor à Igreja" (ibid). Nosso respeito pelos mistérios de Cristo nos leva a respeitar essas normas: "A ninguém é permitido aviltar esse mistério confiado a nossas mãos: é demasiado grande para que alguém possa permitir-se tratá-lo a seu livre arbítrio, não respeitando seu caráter sagrado nem a sua dimensão universal" (ibid).



3. Lex orandi, lex credendi


Os sacramentos estão ordenados à santificação dos homens, à edificação do Corpo de Cristo e, por fim, a prestar culto a Deus; como sinais, têm também a função de instruir. Não só supõem a fé, mas também a alimentam, fortificam e exprimem por meio de palavras e coisas, razão pela qual se chamam "sacramentos da fé". (cf SC 59)


A fé da Igreja manifestou-se na forma como a Igreja reza e especialmente em como ela celebra a Sagrada Eucaristia e os outros sacramentos. Existem palavras e conceitos que adquiriram um significado profundo na vida, fé e oração da Igreja ao longo dos séculos. Exemplos são pessoa, trindade, majestade divina, encarnação, paixão, ressurreição, salvação, mérito, graça, intercessão, redenção, pecado, arrependimento, perdão, propiciação, misericórdia, penitência, reconciliação, comunhão e serviço. Existem gestos e posturas que ajudam a expressar o que a Igreja acredita. Exemplos são o Sinal da Cruz, inclinar a cabeça, ajoelhar-se, sentar-se, ouvir e ir em procissão.


"A fé da Igreja é anterior à fé do fiel, que é convidado a aderir a ela. Quando a Igreja celebra os sacramentos, confessa a fé recebida dos apóstolos." (Catecismo da Igreja Católica, 1124). Esse é um argumento forte em favor do grande cuidado na formulação, nos gestos e nas normas das celebrações litúrgicas.


A relação entre a fé da Igreja e sua celebração litúrgica foi encapsulada em um dito antigo, lex orandi, lex credendi (a lei da oração é a lei da fé), ou legem credendi lex statuat supplicandi (deixar a lei da oração determinar a regra da fé). Essa afirmação da fé Católica é creditada a Prosper de Aquitaine, do 5º século (Ep. 8). Ela é citada no Indiculus ou Capítulos Pseudo-Celestinos. O Papa Celestino reinou de 422 a 432 (cf. Ds 246).


A Igreja crê como ela reza. A liturgia é um elemento constitutivo da santa e viva tradição da Igreja (cf. Dei Verbum 8). É por isso que a Igreja não permite ao ministro ou à comunidade modificar ou manipular qualquer sacramental ou mesmo o rito litúrgico geral. "Mesmo a suprema autoridade da Igreja não deve mudar a liturgia arbitrariamente, mas tão somente em obediência à fé e com respeito religioso ao mistério da liturgia" (Catecismo da Igreja Católica, 1125)


A Redemptionis Sacramentum é incisiva nesse ponto: "A mesma Igreja não tem nenhum poderio sobre aquilo que tem sido estabelecido por Cristo, e que constitui a parte imutável da Liturgia. Posto que, caso seja rompido este vínculo que os sacramentos têm com o mesmo Cristo que os tem instituído e com os acontecimentos que a Igreja tem sido fundada, nada seria vantajoso aos fiéis, mas sim poderia ser gravemente danoso. De fato, a sagrada Liturgia está estreitamente ligada com os princípios doutrinais por que o uso de textos e ritos que não têm sido aprovados leva a uma diminuição ou desaparecimento do nexo necessário entre a lex orandi e a lex credendi." (RS 10)



4. Autoridade sobre a Liturgia


As reflexões acima nos levam a perguntar quem tem autoridade sobre a sagrada liturgia. Quem decide sobre os textos, as cerimônias, as normas? Nós não podemos nos dar o luxo de ser vagos nisso.


O Concílio Vaticano Segundo não é ambíguo: "Regular a sagrada Liturgia compete unicamente à autoridade da Igreja, a qual reside na Sé Apostólica e, segundo as normas do direito, no Bispo. Em virtude do poder concedido pelo direito, pertence também às assembléias episcopais territoriais competentes, de vários gêneros, legitimamente constituídas, regular, dentro dos limites estabelecidos, a Liturgia." Então o Concílio adiciona a advertência: "Por isso, ninguém mais, mesmo que seja sacerdote, ouse, por sua iniciativa, acrescentar, suprimir ou mudar seja o que for em matéria litúrgica". (SC 22)


Essas regras não são um sinal de falta de respeito por quem quer que seja. Elas derivam do fato de que a liturgia é uma celebração da Igreja universal. "As orações dirigidas a Deus pelo sacerdote que preside, na pessoa de Cristo, à assembléia, são ditas em nome de todo o Povo santo e de todos os que estão presentes. Os próprios sinais visíveis que a sagrada Liturgia utiliza para simbolizar as realidades invisíveis foram escolhidos por Cristo ou pela Igreja." (SC33)


Dessas considerações segue que uma atitude de "faça por si mesmo" não é aceitável no culto público da Igreja. Ela causa dano ao culto da Igreja e à fé das pessoas. O povo de Deus tem o direito de que a liturgia seja celebrada como a Igreja quer que ela seja (cf RS 12). Os mistérios de Cristo não podem ser celebrados de acordo com gosto ou capricho pessoal. " O 'tesouro' é demasiado grande e precioso para se correr o risco de o empobrecer ou prejudicar com experimentações ou práticas introduzidas sem uma cuidadosa verificação pelas competentes autoridades eclesiásticas" (EE 51).



5. Piedade Litúrgica

Quando nós dizemos piedade, nós pensamos em geral em honra e reverência dada a alguém que é, de alguma forma, responsável por nossa existência e bem estar. Entretanto, a virtude da piedade refere-se, antes de tudo, a Deus, que é nosso criador e constante provedor. Mas nós podemos também falar de piedade para nossos pais, parentes próximos, país, tribo ou povo.


Como uma virtude Cristã, a piedade é um dos dons do Espírito Santo. Ela nos move ao culto de Deus, que é o Pai de todos nós, e também a fazer o bem a outros como reverência a Deus. Com o salmista, nós cantamos: "Como são amáveis as vossas moradas, Senhor dos exércitos! Minha alma desfalecida se consome suspirando pelos átrios do Senhor. Meu coração e minha carne exultam pelo Deus vivo."(Salmo 83(84):2-3). Celebrações litúrgicas tornam-se atraentes para pessoas piedosas. O sino da igreja que toca para a Missa é um som bem-vindo: "Que alegria quando me vieram dizer: 'Vamos subir à casa do Senhor...'.Eis que nossos pés se estacam diante de tuas portas, ó Jerusalém!" (Salmo 121(122):1-2). A alma piedosa tem alegria pura em estar na igreja e mais ainda em juntar-se ao culto divino: "Verdadeiramente, um dia em vossos átrios vale mais que milhares fora deles. Prefiro deter-me no limiar da casa de meu Deus a morar nas tendas dos pecadores." (Salmo 83(84):11)


A piedade litúrgica, como uma bela manifestação de virtude da religião, é ao mesmo tempo um composto de amor a Deus, fé nEle, adoração, respeito, reverência, alegria pura em Seu serviço, e desejo de servi-Lo da melhor forma que pudermos. O espírito da fé e reverência que se mostra, por si próprio, na fiel observância das normas litúrgicas, é mais favorável à promoção da piedade litúrgica.



6. Criatividade nas Celebrações Litúrgicas

Alguém pode perguntar se existe algum espaço para a criatividade na liturgia. A resposta é que existe, mas ela deve ser entendida corretamente.


Antes de tudo, é necessário ter em mente que o culto público da Igreja é algo que recebemos na fé através da Igreja. Não é algo que inventamos. Na verdade, a essência dos sacramentos foi estabelecida pelo próprio Cristo. E os ritos detalhados, incluindo palavras e ações, foram cuidadosamente elaborados, guardados e transmitidos pela Igreja ao longo dos séculos. Portanto, não seria uma atitude própria para um indivíduo ou comitê ficar pensando e planejando a cada semana como inventar uma nova forma de celebrar a Missa.


Além disso, a prioridade na Missa e em outros atos litúrgicos é o culto a Deus. A liturgia não é um campo para auto-expressão, livre criação e demonstração de habilidades pessoais. Idiossincrasias tendem a atrair atenção à pessoa no lugar dos mistérios de Cristo que estão sendo celebrados. Elas também podem perturbar, complicar, molestar, enganar ou confundir os fiéis.


No entanto, também é verdade que as normas litúrgicas permitem alguma flexibilidade. Com referência à ação litúrgica central e mais importante, a Missa, por exemplo, nós podemos falar de três níveis de flexibilidade. Primeiramente, existem no Missal e no Lecionário alguns textos alternativos, ritos, cantos, leituras e bênçãos, a partir das quais o sacerdote pode escolher (cf. IGMR 24, RS 39). Depois, existem escolhas que são de competência do Bispo diocesano ou da Conferência dos Bispos. Exemplos são a regulação da celebração, normas relativas à distribuição da comunhão sob ambas espécies, construção e ordenamento ordenamento de igrejas, traduções e alguns gestos (cf. SC 38, 40; IGMR 387, 390). Algumas dessas alternativas requerem recognitio da Santa Sé. Os mais exigentes níveis de variabilidade dizem respeito à inculturação no sentido mais estrito. Ela envolve ação pela Conferência dos Bispos, após a realização de profundos estudos interdisciplinares e recognitio da Santa Sé.


A Redemptionis Sacramentum é, portanto, capaz de dizer que "se tem dado um amplo espaço a uma adequada liberdade de adaptação, fundamentada sobre o princípio de que toda celebração responda à necessidade, à capacidade, à mentalidade e à índole dos participantes, conforme às faculdades estabelecidas nas normas litúrgicas" (RS 39). A última frase é importante: "conforme às faculdades estabelecidas nas normas litúrgicas". O parágrafo da Redemptionis Sacramentum conclui com uma observação crucial, recordando que "também se deve recordar que a força da ação litúrgica não está na mudança freqüente dos ritos, mas sim, verdadeiramente, em aprofundar na palavra de Deus e no mistério que se celebra". O que as pessoas estão procurando todo Domingo no seu pastor não é uma novidade, mas uma celebração dos sagrados mistérios que nutra a fé, manifeste devoção, desperte piedade, conduza a oração e incite a caridade ativa na vida quotidiana.



7. Tornando a Missa Interessante

Muitos sacerdotes estão preocupados em tornar a celebração da Eucaristia interessante. E eles não estão errados. A Missa não é uma monótona realização de rituais. É uma celebração vital dos mistérios centrais da nossa salvação.


Deve-se tomar cuidado para preparar-se bem para cada celebração. Os textos a serem lidos, cantados ou proclamados devem ser bem estudados em tempo suficiente. As vestimentas e todos os acessórios e mobiliários do altar devem estar em bom estado. As pessoas que exercem as tarefas de sacerdotes celebrantes, servidores de altar, líder de canto, leitores etc. devem estar no seu melhor. A homilia deve dar às pessoas sólido alimento litúrgico, teológico e espiritual. Se tudo isso é feito, a Missa não será monótona.


Mas quando tudo isso é dito e feito, nós temos que voltar ao fato de que a Missa não é para entreter as pessoas. Tal horizontalismo está fora de lugar. As pessoas não vão à Missa para admirar o pregador, ou o coro, ou os leitores. O movimento prioritário ou direção da Missa é vertical, em direção a Deus, não horizontal, um em direção ao outro. O que as pessoas necessitam é uma celebração cheia de fé, uma experiência espiritual que lhes chama a Deus e, portanto, também ao seu próximo. Como um subproduto, tal celebração vai capturar o interesse e a atenção das pessoas.


Também é útil observar que a repetição de fórmulas e símbolos da fé, ou de palavras e gestos familiares, não necessariamente tornam a celebração desinteressante. Isso importa, entretanto, até o ponto no qual essas fórmulas são compreendidas, daí a importância da catequese. Nas nossas vidas diárias, é desinteressante para nós repetir nossos nomes ou os nomes daqueles que amamos? Nós não amamos nosso hino nacional e o cantamos com piedade? Quanto mais quando isso tem a ver com nossa identidade Cristã!


Se ajuda repetir, eu posso lembrar que as celebrações litúrgicas permitem flexibilidade, que pode ser feita de acordo com normas aprovadas. A Redemptionis Sacramentum exorta o Bispo a não asfixiar as opções previstas pelas normas litúrgicas: "o Bispo deve ter sempre presente que não se impeça a liberdade prevista nas normas dos livros litúrgicos, adaptando a celebração, de modo inteligente, seja à igreja, seja ao grupo de fiéis, seja às circunstâncias pastorais, para que todo o rito sagrado universal esteja verdadeiramente acomodado ao caráter dos fiéis". (RS 21) É por essa razão que o Bispo faz bem em não ser tentado a introduzir restrições desnecessárias em sua diocese, como ordenar que apenas uma particular Oração Eucarística seja usada na Missa. A autoridade do Bispo nunca é mais firme do que quando ele a usa para garantir que as normas gerais que salvaguardam a tradição são observadas.


Um conselho geral sobre se a celebração litúrgica é interessante ou não é simplesmente celebrar com fé e devoção e de acordo com as normas aprovadas, e deixar o resto para a graça de Deus e para a cooperação das pessoas com ela.



8. Dança na Liturgia


Algumas pessoas querem introduzir dança na sagrada liturgia. A liturgia do Rito Latino nunca possuiu tal prática. Nós temos, portanto, que perguntar quem quer trazer a dança para comprovar o motivo pelo qual eles querem introduzi-la.


Se nós dizemos que a razão é tornar a Missa interessante, a resposta é aquela que acabamos de considerar. Nós vamos à Missa para cultuar a Deus, não para ver um espetáculo. Nós temos o salão paroquial e o teatro para shows.


Outros podem dizer que é bem-vinda alguma dança para expressar plenamente nossa oração, pois nós somos corpo e alma. A resposta é que a liturgia, de fato, aprecia gestos e posturas corporais, e cuidadosamente incorporou muitos deles, como ficar de pé, ajoelhar, genufletir, cantar e dar o sinal da paz. Mas o Rito Latino não inclui a dança.


Não é fácil para os dançarinos não chamar atenção para si. Apesar de algumas danças muito requintadas em algumas culturas poderem ajudar a elevar a mente, não é verdade que, para muitas pessoas, as danças são uma distração, em vez de ajuda à oração?


Danças facilmente apelam aos sentidos e tendem a insistir na necessidade de aprovação, diversão, desejo de repetição, e à premiação dos artistas com aplausos da platéia. É para experimentar isso que vamos à Missa? Nós não temos teatros e salões paroquiais, presumindo que a dança em questão é aceitável, que podem lugar para elas?


É verdade que em muitas partes da África e da Ásia pode haver um hábito cultural de um gracioso movimento corporal que, com o devido estudo e aprovação da Igreja local, pode ser aceito em uma celebração litúrgica. O rito Etíope possui conhecidos movimentos rítmicos graciosos e procissão para o Evangelho. O Rito Romano da Missa aprovado para a República Democrática do Congo possui movimentos de entrada similares.


Mas isso é muito diferente do que as pessoas na Europa ou América do Norte pensam quando o conceito de dança é evocado. Será que nós podemos culpar as pessoas que associam dança com Sábado à noite, baile, teatro ou, simplesmente, diversão inocente? Os livros litúrgicos aprovados pelos Bispos e pela Santa Sé para a Europa e América do Norte compreensivelmente não autorizam a importação da dança para a igreja, deixando apenas a celebração do Sacrifício Eucarístico. (veja o artigo no boletim oficial da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos: Notitiae 106-107, June-July 1975, pp. 202-205).



9. Formalismo e Ritualismo não são o Objetivo


De tudo o que nós dissemos acima, segue que uma exortação para ser fiel às normas litúrgicas não é um convite para formalismo, ritualismo ou rubricismo. As pessoas não estão sendo convidadas para uma realização de ações externas secas e sem alma. Jesus, nosso Salvador, citando o profeta Isaías, já condenou aqueles que não internalizam no seu espírito os ritos externos que efetuam:


Este povo somente me honra com os lábios; seu coração, porém, está longe de mim. Vão é o culto que me prestam, porque ensinam preceitos que só vêm dos homens (Mt 15:8-9, Is 29,13).


As celebrações litúrgicas não são primariamente a observação de norma, mas a celebração dos mistérios de Cristo pela Igreja e na Igreja, com fé e amor, e com respeito à tradição. A observação das normas é conseqüência e fruto da fé e do respeito. Não é o objeto final do culto. É uma qualidade dele.


Além disso, normas litúrgicas não são leis ou regulamentos arbitrários ajuntados para agradar algum historiador, esteticista ou arqueologista. Elas são manifestações do que nós cremos e do que nós recebemos da tradição, da "norma dos santos Padres" (cf. SC20, IGMR 6), das quais as gerações dos nossos predecessores na fé disseram, observaram e celebraram. Para saber que nós estamos fazendo, dizendo, ouvindo e vendo o que milhões de Cristãos fizeram ao redor do mundo por centenas de anos e estão fazendo hoje, devem nos ajudar a entrar em uma participação empenhada e orante. Além disso, pela conformação da nossa pessoa por inteiro a tudo o que a liturgia representa, nós temos que sofrer uma transformação e tornar-nos cada vez mais próximos de Deus.


Oração interior e sacrifício têm prioridade. Daí a importância, nas celebrações litúrgicas, da preparação tranqüila, do silêncio, da reflexão, do ouvir e da oração pessoal. "A mera observância externa das normas, como resultado evidente, contraria a essência da sagrada Liturgia, com a que Cristo quer congregar a sua Igreja, e com ela formar 'um só corpo e um só espírito'". (RS5)


Ao mesmo tempo é necessário repetir que o espírito de rejeição de regras e regulamentos, que passariam então a ser considerados como uma violação da própria autonomia, deve ser corrigido. É errado e não razoável manter um espírito de "Ninguém vai dizer o que eu tenho que fazer". Esta seria uma falsa compreensão de liberdade. "Deus nos tem concedido, em Cristo, não uma falsa liberdade para fazer o que queremos, mas sim a liberdade para que possamos realizar o que é digno e justo." (RS 7)


É uma bênção e um privilégio para nós pertencermos à Igreja que, na sua sagrada Liturgia, celebra os mistérios de Cristo e tem Cristo por Si próprio como o Sacerdote Chefe em cada ato litúrgico. Rezemos para a Santíssima Virgem Maria, Mãe do nosso Salvador, para que obtenha para nós uma crescente compreensão das razões para as normas litúrgicas, a disponibilidade para observá-las e a graça de crescer diariamente na piedade litúrgica, amor a Deus e compromisso para amar e servir nosso próximo.




                                             + Francis Cardinal Arinze

domingo, 20 de novembro de 2011

Um século de Papas


"O Romano Pontífice, como sucessor de Pedro, é o perpétuo e visível principio e fundamento da unidade quer dos bispos quer da multidão dos fiéis." 
(Lumen Gentium 23)
LEÃO XIII (20.II.1878 - 20.VII.1903
Gioacchino Pecci

PIO X (4.VIII.1903 - 20.VIII.1914)
Giuseppe Sarto
 BENTO XV (3.IX.1914 - 22.I.1922)
 Giacomo della Chiesa
PIO XI (6.II.1922 - 10.II.1939)
 Achille Ratti
 PIO XII (2.III.1939 - 9.X.1958)
 Eugenio Pacelli
 JOÃO XXIII (28.X.1958 - 3.VI.1963)
Angelo Giuseppe Roncalli
PAULO VI (21.VI.1963 - 6.VIII.1978)
Giovanni Battista Montini
JOÃO PAULO I (26.VIII.1978 - 28.IX.1978)
Albino Luciani
JOÃO PAULO II (16.X.1978 - 2.IV.2005)
Karol Wojtyla
BENTO XVI (eleição 19 de abril de 2005)
 Joseph Ratzinger

sábado, 19 de novembro de 2011

Os limites entre o público e o privado das redes sociais


Através das redes sociais ficamos informados de tudo o que acontece com nossos amigos, com as celebridades e até com pessoas que não conhecemos. Estar conectado hoje á uma rede social é a mesma coisa de ter um documento de identidade, onde você é identificado com apenas um clique. Todo mundo tem o direito de ter um perfil numa rede social, seja no Facebook,Orkut,Twitter, Yahoo,etc...,mas nunca se esquecendo que sua vida pessoal, tudo o que vc faz no dia-a-dia está disponibilizados para acesso de milhares de internautas do mundo inteiro.Por isso que se é recomendado prestar muita atenção no que se vai publicar em uma rede social para não se arrepender depois. Antes de navegar nessas redes é preciso saber bem dos limites entre o público e o privado. É lógico, por exemplo, se uma amiga me contar um segredo importante, muito íntimo dela, eu não devo publicar numa rede social para todos terem conhecimento.Digo isso porque existem muitas pessoas que ao ficarem sabendo de qualquer coisa correm a publicar, por isso temos que saber o que se deve levar a público ou não.É claro que por outro lado, essas redes sociais são ótimas, pois são através delas que podemos fazer novas amizades e até mesmo conhecer o grande amor de nossa vida.Mas lembremos que sempre estaremos sendo vigiados por milhares de internautas, dos quais, parte estarão ali para arruinar e prejudicar. É por isso que os responsáveis por essas redes sociais devem oferecer a cada dia ferramentas aperfeiçoadas de segurança, para assim todos os usuários possam se sentir seguros nesse universo digital.

                                                                                                                 por: Renan Felipe Assumpção 

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Ano litúrgico e Advento



A Santa Igreja recebeu de seu fundador a missão de continuar a obra da salvação e santificação das almas, por ele iniciada. Para este fim ela estabeleceu a santificação do tempo pela celebração do ciclo litúrgico, durante o qual se comemora os principais Mistérios da Vida de Nosso Senhor. Para nos ajudar a melhor vivermos estes momentos o tempo Litúrgico foi dividido em: Advento, Natal, Tempo Comum, Quaresma e Pascoa. Os quais se subdividem em anos A, B, C, I e II (mais as festas dos santos e da Virgem Maria).
Celebra-se em cada ano litúrgico uma fase da vida de Jesus, também diferentes são os efeitos, os frutos que podemos colher de sua participação. Importa, pois, grandemente, nos compenetrarmos do espirito de cada tempo e meditarmos, porque nos auxiliarão poderosamente na compreensão dos diferentes tempos litúrgicos. Se assim nos deixarmos guiar pela santa Igreja através do Ano Litúrgico, entraremos num contato mais vivo com o Divino Esposo. Ele nos comunicará de sua própria vida. O costume de principiar o ano litúrgico com o Advento começou no século XI, ocasionado quiçá pelos livros litúrgicos. Pois os antigos sacramentários trazem em primeiro lugar as missas de Natal. Para tornar o uso destes livros mais cômodo, foi conveniente por as missas do Advento antes da festa do Natal. Assim fizeram em parte no século X, generalizando-se o costume no século XII, tento por consequência iniciar o Ano Litúrgico ou Eclesiástico pelo Advento. O Advento Celebra a vinda de Jesus Cristo no tempo e na historia dos homens, para trazer-lhes a salvação. É
 portanto, o tempo de expectativa, e o cristão é chamado a vive-lo em plenitude para poder receber dignamente o Senhor no momento em que vier.
As atitudes interiores que nos preparam melhor para esta vinda podem ser assim apresentadas:
-manter-se vigilantes na fé, na oração, uma abertura atenta para reconhecer os “sinais” da vinda do Senhor,
-se extraviar dos caminhos tortuosos, converter-se para seguir Jesus,
-dar testemunho na alegria, na caridade, na paciência,
-manter um coração pobre e vazio de si, para mais facilmente reconhecer o Filho de Deus.
Participar da Celebração eucarística no tempo do Advento significa acolher e reconhecer o Senhor, que continuamente vem ficar no meio de nós; e segui-lo no caminho que leva ao Pai.

                                                                                                                                                            
 (Fontes: Curso de Liturgia – III Edição –João Batista Reus,SJ –Editora Vozes /Missal Dominical - 8º Edição –Editora Pulus /Missal Quotidiano – Latim/Português – 19º -Tipografia Beneditina)

domingo, 13 de novembro de 2011

O aborto, sinal de coisa pior?



Professor de Ética fala da perda de humanidade

ROMA, domingo, 10 de julho de 2011 (ZENIT.org) – O aborto é um sinal de alarme que indica um perigo onipresente na sociedade: a perda de identidade humana.
É uma observação do padre Robert Gahl, professor adjunto de Ética na Universidade Pontifícia da Santa Cruz.
O padre Gahl falou com o programa de televisão “Deus chora na Terra”, da Catholic Radio and Television Network (CRTN) em colaboração com Ajuda à Igreja que Sofre.
- O aborto é um sofrimento universal: 53 milhões de abortos no mundo. Em alguns países, mais de 70% das mulheres já abortaram. Por que essas questões ficaram tão presentes hoje: aborto, eutanásia?
- Padre Gahl: Bom, é um paradoxo, triste, que evoca o pecado original. Adão e Eva tentaram ficar no lugar de Deus, ser deuses no lugar dele. Os seres humanos tentam dominar o poder divino, o poder sobre a origem da vida, e controlar o começo da vida de um jeito que é contrário ao desígnio de Deus, e, por isso mesmo, contrário ao desígnio do amor. E eles se sentem poderosos durante um instante. Pode ser até que eles achem que conseguiram. Mas logo depois eles sentem a frustração e a negação da sua própria identidade, porque essa identidade é a identidade do amor, porque eles foram feitos para o amor. O nosso coração foi feito para o amor. Mas em vez de ser pessoas apaixonadas, em vez de apertar os nossos laços familiares, nós viramos meros construtores, gente que controla produtos. Se o nosso poder de dar vida é simplesmente produzir elementos que se encaixam no “fui produzido”, ou no “sou só o final da linha de um sistema de produção mecanizado”, isso é só a negação da minha própria dignidade como filho de Deus. E como filho dos meus pais.

- Olhando para trás, qual foi o momento em que surgiu no horizonte essa aceitação do aborto, da pesquisa com células-tronco, da eutanásia?
- Padre Gahl: O aborto, infelizmente, é tão estendido por tantas partes do mundo que, hoje, muita gente, até os documentos da ONU, acham que ele é um direito reprodutivo. A origem disso é a revolução sexual, que não foi uma revolução de libertação, mas uma revolução do narcisismo, do desespero, de cortar laços, afeto, amizade e amor pelos outros. E no centro dessa revolução sexual nós tínhamos o desenvolvimento dos anticoncepcionais químicos, que permitiram o sexo sem bebês, ou seja, as pessoas podiam ter o prazer da sexualidade só como uma busca egoísta. E eles desconectaram a ordem intrínseca, orientada ao dom da vida; desconectaram a sexualidade dos compromissos sérios de amor, de formar uma família, e, claro, de ser pais e mães. É uma diminuição da dignidade humana. Eu considero que o problema do aborto é que é um sinal de alerta. É uma luz vermelha que está arrancando vidas, mas que indica uma coisa que é mais onipresente ainda, e que está mais profundamente enraizada na nossa sociedade do que você possa imaginar.
- E o que é?
- Padre Gahl: É a perda da própria identidade. Da nossa identidade que participa do poder criador de Deus, e que chama a pessoa a ser mãe e pai.
- O aborto é justificado quase sempre como o direito de escolha. Mas também como um apelo ao amor. Por exemplo, algumas pessoas dizem que acham melhor abortar do que criar um filho sem amá-lo. Como é que nós chegamos a esta situação invertida, em que a morte é justificada por amor?
- Padre Gahl: O verdadeiro amor humano é incondicional. Quando você ama alguém, não interessa o que acontece. Não interessa, você vai cuidar. Se ele fica doente, se ele fica paralisado por causa de um acidente de carro, você vai cuidar dele pelo resto da vida. Naquele outro tipo de amor, que é uma forma de amor egoísta, você só se entrega a alguém enquanto quer. O aborto, nesse tipo de amor manipulado, vira um meio de saída. Nós temos que mudar completamente e dizer que precisamos aceitar a todos, toda vida humana. Como dizia a Madre Teresa: não existem filhos não desejados; se existe uma criança que alguém diz que não é desejada, tragam para mim, eu vou cuidar dela, porque eu desejo essa criança. E essa é a verdade. Se alguém foi capaz de dizer que o aborto nos permite agir com um cuidado altruísta, porque evita dificuldades, esta lógica nos leva de um modo trágico, eu até diria de um modo assassino, a afirmar que os deficientes não deveriam existir. Isso é a negação de toda dignidade humana.

- Nós passamos da vida como algo intrinsecamente importante a enfatizar a qualidade de vida. A mudança para a qualidade de vida coloca a pergunta: Qual é a minha qualidade de vida? Eu estou tendo qualidade de vida? Isto aponta para os deficientes: eles estão tendo a qualidade de vida que deveriam ter? Isso não coloca em questão a própria vida deles?
- Padre Gahl: Claro. Uma parte dessa lógica aberrante leva também a julgar cada um de nós com base no nosso rendimento. O meu valor se baseia no que eu posso fazer pela sociedade. Se num dado momento os meus resultados são decepcionantes, por doença, por um erro, por estar num setor da economia que o consumidor não deseja mais, então eu não seria mais necessário, e, aí, deixaria de ser importante.
- O maior dom de Deus à humanidade foi o dom de co-criar a vida com Ele. O que faz o aborto ao quebrar esta relação entre o homem e Deus?
- Padre Gahl: Nos esquecemos às vezes, devido ao “cientificismo” – que reduz tudo ao fato científico – que o começo de uma nova vida humana não só vem de um homem e uma mulher, mas também de Deus. Exige a participação de três pessoas, porque a alma humana é imaterial. É a alma espiritual que é criada direta e imediatamente por Deus. Por isso, quando um homem e uma mulher unem-se para ter um filho, é também – tanto ou mais – filho de Deus. Daí que, se quisermos recuperar este respeito pela vida, será porque teremos voltado a tomar consciência do papel de Deus ao dar a vida e, pelo mesmo, deste poder que temos dentro de nós, que é na realidade um poder divino e transcendente. Trata-se de um poder criador pelo qual quase temos Deus na palma da mão, porque podemos dizer-lhe, em certo sentido, quando criar uma nova alma humana. Portanto, se renovarmos esse respeito pela intervenção de Deus, Ele nos ajudará também a nos respeitarmos uns aos outros como imagens de Deus, como outros Cristos.
- Em países como a Rússia, mais de 70% das mulheres abortaram. A proporção de abortos em algumas províncias russas pode alcançar os oito ou dez abortos por mulher, porque o utilizam como um meio de controle de natalidade. Na China, a política de um só filho obriga as mulheres a abortar. Que impacto espiritual e psicológico tem isso na sociedade?
- Padre Gahl: No leste europeu, onde vemos índices tão altos de abortos, que frequentemente se associam a altos índices de suicídios, alcoolismo e depressões graves, há uma sensação de niilismo, de perda total do sentido da vida. Isso ocorre em uma sociedade que não se baseia no amor a seus filhos. É necessário que isso mude. Graças a Deus, em alguns desses países está-se notando uma tendência na direção correta. Na Federação Russa, por exemplo, tem havido ultimamente um aumento na taxa de natalidade. A proporção de abortos continua muito alta, mas fica a esperança de que este aumento da taxa de natalidade continue, de modo que o índice de abortos caia.

- Que mais a Igreja pode fazer neste tema?
- Padre Gahl: Em primeiro lugar, quando pensamos na “Igreja”, tendemos a pensar na hierarquia – em nós, sacerdotes, bispos, o Papa –, mas na realidade a Igreja é o conjunto de todos os cristãos batizados. A Igreja é uma família, por isso precisamos que todos – todos os cristãos batizados – aceitem a vida com amor. Precisamos também de ajuda nos centros para mulheres grávidas. A Igreja magisterial, a Igreja hierárquica, evidentemente, tem de ser também coerente com os princípios da teologia moral católica sobre o tema.
A Igreja há de continuar seguindo o exemplo de Karol Wojtyla, que, como arcebispo de Cracóvia, abriu centros de ajuda para mulheres em situações de crise. Mas na realidade tudo se reduz a isso: Deus é amor. Sou filho de Deus. Sou feito à imagem de Deus, por isso tenho de fazer presente entre os demais seres humanos o rosto de Deus, que é o rosto do amor. Se fizermos isso em todas as nossas relações humanas, se mostrarmos de verdade respeito pela dignidade humana, se mostrarmos respeito e amor pelas pessoas que sofrem, então podemos começar a recuperar os princípios que são necessários para que toda vida humana seja aceita. A vida então não será jamais considerada só um produto, como os bebês que são feitos num tubo de ensaio segundo os desejos de algum fabricante.
Voltando atrás, gostaria de acrescentar que precisamos recuperar nossa sexualidade, assim como a consciência de que a sexualidade é sagrada, e precisamos, portanto, viver a modéstia e o respeito pela nossa sexualidade e nossos desejos sexuais com castidade e fortaleza, de modo que nos preparem para dar vida dentro da estrutura da família.
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Esta entrevista foi realizada por Mark Riedemann para "Deus chora na terra", um programa rádio-televisivo semanal produzido por ‘Catholic Radio and Television Network', (CRTN), em colaboração com a organização católica Ajuda à Igreja que Sofre.

Hipocrisia ou ignorância?

O grande problema entre nós cristãos, é que falamos muito bem de muitas coisas, citamos, como ninguém, trechos e mais trechos da sagrada escritura, por vezes levamos muitas pessoas a pensarem sobre certas verdades nem sempre tão agradaveis , mas como no capitulo 23, 3 do Evangelho de Mateus, podemos dizer: "façam o que eu falo, mas não façam como eu faço!" è muito triste pensar que nós que nos dizemos seguidores de Jesus Cristo, frequentamos a Missa, senão cotidiana ao menos dominical, ainda nos assemelhamos aos escribas e fariseus, pois cobramos muito dos outros, mas de nós mesmos, quase nada ou absolutamente nada. Digo isso, pois já tive diversas experiencias em vários lugares do Brasil, e em todos achei pessoas santas ou ao menos que buscassem uma santidade sincera, mesmo que de forma simples e sem os conhecimentos de Biblia, Catecismo, Grupos de Oração, participação em alguma pastoral, a buscavam na reza do terço, no serviço ao outro que necessitasse...Muitas vezes senti vergonha de minha fé toda elaborada, de minha busca de uma celebração litúrgica "litúrgica", de meus livros de espiritualidade, de meus manuais de mistica ou de ascese. Senti vergonha porque essas pessoas mesmo nunca tendo ouvido falar de Enciclica, Motu Proprio e tantos outros documentos do SAgrado Magistério, serviam a Cristo de um modo muito autêntico e louvável, pois o faziam de coração puro e sincero, por amor e devoção. Não quero e nem pretendo ser um manifestante revolto que quer mudar as coisas, não quero fazer reformas no clero, no povo, mas quero sim, a exemplo de tantos santos e santas, canonizados ou não, reformar-me interior e exteriormente, quero chegar aquela forma do novo" homem feito a estatura  da maturidade de Cristo" (Efésios 4,13), quero com o auxilio da graça que me foi dada pelo Batismo, esforçar-me por dar um testemunho digno de Cristo e de seu Evangelho, renunciando toda mentira, evitando a ira, não roubando, não permitindo que nehuma palavra má sai de minha boca, mas sim falando a verdade, não deixando o sol se por sobre o ressentimento, mas buscando o perdão, trabalhando com minhas proprias mãos para meu sustendo e do proximo, dando  uma boa palavra, perdoando sempre! Não é um projeto fácil nem agradável, mas é o preço por eu ter optado seguir Jesus. Será que somos tão tolos assim que pensamos que o importante é rezar, frequentar a missa e as vezes em certas datas praticar a caridade, se é que podemos dizer assim, e com isso seremos salvos e nos justificaremos diante de Deus? Diz o apóstolo Tiago: "mostra-me a tua fé sem as obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas obras" (Tiago 2,18b). A salvação foi-nos dada por Jesus Cristo por meio de sua oferta na cruz ao Pai,"carregou os nossos pecados em seu corpo sobre o madeiro para que,mortos aos nossos pecados, vivamos para a justiça.Por fim, por suas chagas fomos curados. Eréis como ovelhas desgarradas, mas agora retornastes ao Pastor de vossas almas"(!Pedro 2,24). Que possamos aprender dele, a nos doarmos por inteiro, sem expectativa de premio, pois somente quando vivermos no amor seremos o que Ele desejou que fossemos: sinais de seu amor ."Amai-vos uns aos outros...nisso todos conhecerão  que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros"(João 13,34). Que possamos começar a amar aquele ou aquela que está proximo, seja no trabalho, no bairro, na escola...Depende unicamente de nós!